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Arquivo da categoria: ♥ POESIAS ♥

Nas farpas da saudade

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Em visita ao amor ultrajado

Jogado num canto, esquecido.

Quase que deteriorado

Dos meus desenganos, vencido.

 

Abri a porta, polido.

Temendo o que iria encontrar…

Muitos poemas esquecidos

Poeira em todo o lugar

 

Rabiscos de um rosto amigo

Que um dia tentei esboçar

E atrás do tempo perdido

Entre incontáveis, sei lá…

 

Um semblante conhecido

Identifiquei no lugar,

E ironicamente sorrindo

Não fez surpresa ao me olhar.

 

Cumprimentei a saudade

Convidei-a pra sentar

Trocamos amenidades e

Entre farpas a me remocar…

 

– Aquele amor tão valente

Que o mundo queria enfrentar

Diga-me querida amiga,

Onde é mesmo que ele estar?

 

– Que tristeza dizê-lo aviltado

Destronado e abatido

Pelo abandono sentenciado  

Nas próprias chamas, consumido.

 

Justifiquei: assim quis o destino,

Ou qualquer coisa que o valha,

Transformá-lo em desatino

Num fio de esperança vaga.

 

Deixou escapar num gemido

Como num terço a debulhar,

Se casassem o amor e o destino

Como iriam me alimentar?

 

Rosnando, falou-me entre os dentes:

– Pobre do homem que amar.

 

Por Lu Marinho

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Publicado por em 15 de setembro de 2015 em #DESTAQUE, ♥ POESIAS ♥, CONTOS ♪ ♫

 

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Primeira Dama

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Enquanto busco fascinada tua face

Em devaneios que povoam a memória

O teu cheiro me arrebata num relance

Furtando-me o tom, a voz, o rumo

Sem ter como fugir me entrego e assumo

Os riscos já surrados dessa história…

 

Uma vez mais aqui e agora,

somos onze noves fora…

Sou sussurro, febre e tu quimera

Que o desejo se esmera em agarrar

Mas, fugaz, como o vento que te trouxe

Sempre escapas, sem minha fome saciar…

 

Arde na boca cada gole do teu beijo

Me queima a pele tuas mãos imaginar

É brasa viva, incendiando o meu desejo

Tua voz rouca o meu nome a sussurrar …

 

Deveras me arrebata essa chama

E beijo a linha tênue da loucura

De não saber se amas, finges ou enganas

Quiçá, achar prazer nessa tortura…

 

Esse teu coração, incógnita esfinge

Completo de incerteza se derrama

Enquanto o meu devoto se restringe

Sonhando ser tua primeira dama!

 

Por Lu Marinho

 
7 Comentários

Publicado por em 26 de julho de 2015 em #DESTAQUE, ♥ POESIAS ♥

 

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Avassalador…

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É meu castigo

Esse desejo que não passa,

Essa chama que avassala

Corpo, alma e coração…

 

Apenas minha,

Essa saudade atrevida

Que se deita no meu leito,

Se apropria do meu peito

E se espalha em cada vão…

 

E o pensamento em que te dei abrigo?!

É um perigo,

Fez-se dono da razão,

Me furta o sono, a fome e os sentidos…

Em desalinho, sigo andando em contramão.

 

Me diz, por que quando partiu sem ter motivos

Não levou também contigo

A dor dessa solidão?!

Amar você, não faz o menor sentido…

Mas, quem disse que amor

Traz consigo explicação?!

 

Por Lu Marinho

 
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Publicado por em 15 de abril de 2015 em #DESTAQUE, ♥ POESIAS ♥

 

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Do avesso

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Se eu soubesse te dizer dessa saudade,

diria nos mínimos detalhes o que se passa aqui dentro,

diria que aqui do lado avesso o ar é comprimido,é rarefeito,

feito esse sentimento que me invade,

e numa nuvem de saudade me atravanca e da nó dentro do peito,

que nunca escalou qualquer montanha,

mas sabe “bem” as artimanhas dolorosas do rarefeito,

do que desfeito nunca foi, nem nunca ficou feito…

Ah! Se eu soubesse descrever todo efeito ..

 

Por Lu Marinho

 
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Publicado por em 5 de março de 2015 em #DESTAQUE, ♥ POESIAS ♥

 

Insanamente…

Saudades II

 

Fonte de alegria e de martírio

Eu que tudo fiz por merecê-lo

Louco sonho de amor e de delírio

Dei mais que a vida, dei a alma por querê-lo.

 

Por quem vivo de amor, morto padeço!

Pois, quanto mais te perco, mais te quero,

E mesmo em meio a tudo que acho incerto

Vislumbro o céu no inverno que mereço.

 

Se este é o quinhão, o alto preço,

Que devo amor por tanto deseja-lo

Não há como fugir, hei de pagá-lo,

 

Ardendo em brasas viva de saudade

Beirando dia-a-dia a insanidade

Sem receber de ti o que ofereço.

 

Lu Marinho

 

Singular

 

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Tenho uma sede que não passa,
Uma fome que ultrapassa
O tempo, a imaginação…

Uma necessidade que me acompanha
Desde que me achei em teus olhos
Desde que me perdi em tuas mãos…

Numa febre que só passa
Consumida em teu olhar
Na distância que é zerada
Em teu abraço singular!

Em teu beijo estanca os anseios,
Aflora o desejo, é pura emoção!
Em teu toque preciso me perco,
Ébrio padeço, dessa louca paixão!

Lu Marinho

 

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Relicário

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Nasceu num olhar, brotou de um sorriso

Esse amor que a minha alegria entristece

Viveu num segredo, morreu de indeciso

Pra detê-lo não houve conversa nem prece

 

Inútil tateio num caminho impreciso

E por razões que a própria razão desconhece

É um mistério, talvez, desvendá-lo preciso

N’alma ficou, coração não esquece

 

Este amor irreal, relicário que debalde idealizo

É castigo, e o que mais dói, machuca e fere…

Ontem fui colo, leito, abrigo, hoje, nem me conhece

 

Hospedeiro letal, cruel assassino, mata o peito onde cresce

É o legado do amor não correspondido, veneno amargo, sinistro,

Pois, quando não mata, enlouquece!

 

Lu Marinho

 
1 comentário

Publicado por em 16 de dezembro de 2013 em #DESTAQUE, ↑ REFLEXÃO ↓, ♥ POESIAS ♥