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Insanamente…

Saudades II

 

Fonte de alegria e de martírio

Eu que tudo fiz por merecê-lo

Louco sonho de amor e de delírio

Dei mais que a vida, dei a alma por querê-lo.

 

Por quem vivo de amor, morto padeço!

Pois, quanto mais te perco, mais te quero,

E mesmo em meio a tudo que acho incerto

Vislumbro o céu no inverno que mereço.

 

Se este é o quinhão, o alto preço,

Que devo amor por tanto deseja-lo

Não há como fugir, hei de pagá-lo,

 

Ardendo em brasas viva de saudade

Beirando dia-a-dia a insanidade

Sem receber de ti o que ofereço.

 

Lu Marinho

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Singular

 

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Tenho uma sede que não passa,
Uma fome que ultrapassa
O tempo, a imaginação…

Uma necessidade que me acompanha
Desde que me achei em teus olhos
Desde que me perdi em tuas mãos…

Numa febre que só passa
Consumida em teu olhar
Na distância que é zerada
Em teu abraço singular!

Em teu beijo estanca os anseios,
Aflora o desejo, é pura emoção!
Em teu toque preciso me perco,
Ébrio padeço, dessa louca paixão!

Lu Marinho

 

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Exilado

 

 

Amor que nasceu belo e doce

possuía uma tal suavidade

que a própria essência da felicidade

julguei erroneamente que ele fosse…

 

Amor que torna o coração em chama

extrapolando todos os sentidos

e o faz na mesma chama consumido,

quando é sabido que em vão se ama…

 

Na amargura do desengano eterno

exilado,  em solidão de corpo e alma

quase pereço as portas do inferno

vendo boiar nos olhos minha mágoa…

 

Amargo e forte tal qual absinto

sinto correr nas minhas veias esse tédio

para o qual não existe um só remédio

na angustia enorme da aflição que sinto…

 

De dor sinto o coração vibrando

e em eterna embriaguez a alma perdida

porque amar sem ser amada é minha vida

viver sem vida, por onde passo sonhando…

 

De combate em combate levo a lida

sentindo dores, lutando contra o mundo

sei que há muito o que vencer antes que ao fundo

chegue da trágica tumba que nos reserva a vida…

 

Por Lu Marinho

 

 

Querer desmedido…

E esta saudade é como uma sombra que me guia

que me persegue a todo instante do meu dia

que atrevida serve-me de companhia

nas horas amargas em que o coração vagueia

a buscar tua presença que me é alheia

mas que ser minha é tudo o que me bastaria…

É um sentimento apavorado e comedido

que sufocado cala a alma num gemido

e que sequestra a luz dos meus sentidos

com esse querer profano e infinito

que dia a dia cresce mais e mais bonito…

E transformado sou insanidade,

sempre que o amor em mim se faz saudade…

Tudo o que digo é apenas meio verdade

por que não pode se igualar a o que sinto

por mais que tente o dicionário é resumido

pra descrever esse querer tão desmedido…

 Por Lu Marinho

 

Saudade… Senhora do tempo…

Tempo onde escondeste a criança faceira de franja e trança que não queria crescer?

Que não te contava, nem te media, que só te via passar quando um ano morria para um novo nascer…

O que fizestes com os sonhos de infância? Todos possíveis, permitidos pela inocência… Não me fazia falta não ter do futuro consciência…

Para onde vais com tanta pressa e ganância? Devorando tudo, a inocência, a criança, a franja, o mundo…!

Tempo, quem pode detê-lo ou acompanha-lo? Quem poderá resisti-lo ao passar com tanta fome, fome de passado, de presente, de futuro, fome de tudo, pois tudo consomes…

Quantas transformações em você há? Que face no futuro me trarás, se desde então não me reconheço… De quem é este reflexo emoldurado no espelho? Sou sempre um esboço teu…

Tempo que devora tudo com seus dentes de aço, come a pintura dos muros, morde o riso do palhaço, come a vitalidade a energia, trazendo enfado e cansaço…

Roí as molduras, consome os retratos, remoí as lembranças, mastiga o passado… Só conheço um sentimento que te faz agravo, não consegues matar nem destruir com seus dentes de aço, quanto mais por ela passa mais ela cresce forte… É a famosa saudade, que não escolhe suas vítimas sejam ricos ou pobres pebleus ou nobres, em todos ela habita, não importa a sua sorte…  Saudade senhora do tempo, resistes a quase tudo, rendendo-se apenas a morte, infortúnio de quem vive, sorte de quem de saudade morre…

Por Lu Marinho

 

Aprendiz

Debruçada sobre a noite

olhando as plaícies desertas

percebo que na vida

toda certeza é incerta…

 

Não vivo mais de esperanças

não aceito mais promessas

da vida não levo nada,

ela, a vida é quem me leva…

 

Saudade do que não vivi

é quase a minha rotina

do que fiz e me arrependi

dou ao destino por sina…

 

Se o mundo é professor,

a vida uma cartilha,

sou apenas aprendiz

da universidade divina.

 

Por Lu Marinho

 

 

Lição de vida

Depois de invadir minha vida

feito um turbilhão de vento

de abalar minhas estruturas

remexer tudo por dentro,

depois de roubar minha paz

me afogar de ansiedade,

de minar minhas defesas

me embriagar de saudade…

Depois de levar meu sono embora

de subtrair minha fome

de angustiada querer morrer

mudar de cara e de nome…

Depois de noites em claro

no mais completo abandono

depois de molhar meu leito

na solidão do meu pranto…

de te chamar bem baixinho

desejar os teus carinhos,

rabiscar teu nome em todo canto…

Depois de tanto sofrer

e deprimida esquecer da vida,

da esperança perder

tentando achar a saída,

 de me sentir fenecer

morrendo um pouco por dia…

descobri que o amor

é  estrada de duas vias,

e que amar sozinho ninguém jamais poderia…

Por Lu Marinho