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Lobo Mal

02 fev

Apresentação1

 

Bem-querer, sonho bom, enredo!

Abriu-me todas as vertentes

Fez-me verter

Solene, rasteira, estupidamente.

Por entre os dedos, os desejos, os segredos…

A meia-luz, a meio-som, amei-o- sal da tua pele…

 

Meu sonho bom, meu lobo mal…

Doutro animal,

Quê nos afasta, nos distingue, nos difere?

Esse pecado original?

O medo do apocalipse?

Do meu ou teu juízo (A)final?

Dos sete, a crise?

 

Nos degredos de aceitar sua fuga

Derramou-se o sentimento em poesia,

A cada gota de suor, eu te vertia

E nosso cheiro entranhado no meu ser

Me faz viver nosso momento todo dia!

Eternidade dura o tempo que quiser…

 

No afã de fugir dessa loucura

Árduo trabalho, achar pro teu veneno, cura!

Provar pra minha mente, que menti demente e sem culpa,

Inventa toda e qualquer desculpa

Que esculpa teu rosto outra vez, e outra vez acredito!

Mesmo que perca a voz gritando a plenos pulmões!

Coração ignora o que digo

Mantendo no cerne incutido teu cheiro, teu gosto, tua figura…

 

E ébrio dessa saudade padeço

Freguês ou refém, quem sabe?!

Encadeando no tempo, por pura maldade

Aquele único, singelo momento-eternidade!

Que a memória elegeu o monumento

E o desejo emoldurou, pendurou na parede do tempo

Sob o dorso desse fiel pensamento

Que alimento sem repouso!

Enquadrando-me assim na terra do nunca, do sem fim!

Nessa formidável história de trancoso.

 

Por Lu Marinho

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5 Comentários

Publicado por em 2 de fevereiro de 2016 em #DESTAQUE

 

5 Respostas para “Lobo Mal

  1. José Chadan

    2 de fevereiro de 2016 at 4:46 PM

    Belíssimos versos, ó poetisa Lu Marinho. E, tão profundos como a névoa que encobre a densidade do cosmos numa noite escura.
    Poderia mencionar várias partes das quais gostei e fez meu coração pulsar, ao mesmo tempo em que a razão tentava entender.
    Gostei do jogo das palavras e do som neste verso: “A meia-luz, a meio-som, amei-o- sal da tua pele…”. Gostei muito desta outra figura aqui: “Que a memória elegeu o monumento/ E o desejo emoldurou, pendurou na parede do tempo”. O tempo concebido como uma parede onde a memória pode pendurar suas imagens. Que delícia. E, finalmente, destaco o último verso que me convida a divagar nas aventuras que a poetisa teve em trancoso: “Nessa formidável história de trancoso”.
    Me despeço com um beijo e desejos de bons presságios.

     
  2. José Chadan

    2 de fevereiro de 2016 at 6:45 PM

    Belíssimos versos, poetisa Lu. E, tão profundos como a névoa que encobre a densidade do cosmos numa noite escura.
    Poderia mencionar várias partes das quais gostei e fez meu coração pulsar, ao mesmo tempo em que minha razão tentava entender. Gostei do jogo das palavras e do som neste verso: “A meia-luz, a meio-som, amei-o- sal da tua pele…”. Gostei muito desta outra figura aqui: “Que a memória elegeu o monumento/ E o desejo emoldurou, pendurou na parede do tempo”. O tempo concebido como uma parede onde a memória pode pendurar suas imagens. Que delícia. E, finalmente, destaco o último verso que é um convite para divagar acerca das aventuras que a poetisa teve em trancoso: “Nessa formidável história de trancoso”.
    Me despeço com um beijo e desejo de bons presságios.

     
  3. Gustavo Roubert

    2 de fevereiro de 2016 at 9:00 PM

    Que saudade de novos (e sempre belos) textos…

     
  4. BETANIA GONÇALVES DA SILVA

    4 de fevereiro de 2016 at 2:09 AM

    Bonitos versos Luciene. Que você sempre tenha tempo de versar palavras e fazer versos para embalar a vida.

     
    • Luciene Marinho

      5 de fevereiro de 2016 at 2:42 AM

      Obrigada Betania pelo incentivo! Fico imensamente feliz que tenha gostado, obrigada! 😉

       

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