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Arquivo mensal: setembro 2015

Nas farpas da saudade

cupido-en-paro

 

Em visita ao amor ultrajado

Jogado num canto, esquecido.

Quase que deteriorado

Dos meus desenganos, vencido.

 

Abri a porta, polido.

Temendo o que iria encontrar…

Muitos poemas esquecidos

Poeira em todo o lugar

 

Rabiscos de um rosto amigo

Que um dia tentei esboçar

E atrás do tempo perdido

Entre incontáveis, sei lá…

 

Um semblante conhecido

Identifiquei no lugar,

E ironicamente sorrindo

Não fez surpresa ao me olhar.

 

Cumprimentei a saudade

Convidei-a pra sentar

Trocamos amenidades e

Entre farpas a me remocar…

 

– Aquele amor tão valente

Que o mundo queria enfrentar

Diga-me querida amiga,

Onde é mesmo que ele estar?

 

– Que tristeza dizê-lo aviltado

Destronado e abatido

Pelo abandono sentenciado  

Nas próprias chamas, consumido.

 

Justifiquei: assim quis o destino,

Ou qualquer coisa que o valha,

Transformá-lo em desatino

Num fio de esperança vaga.

 

Deixou escapar num gemido

Como num terço a debulhar,

Se casassem o amor e o destino

Como iriam me alimentar?

 

Rosnando, falou-me entre os dentes:

– Pobre do homem que amar.

 

Por Lu Marinho

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Publicado por em 15 de setembro de 2015 em #DESTAQUE, ♥ POESIAS ♥, CONTOS ♪ ♫

 

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A forja

matriztierra

De tanto me virarem de ponta a cabeça

Hoje, não sou mais a mesma;

De tanto acharem que suporto indelicadezas

Hoje, não sou mais a mesma;

De tanto tentarem contra minha natureza

Hoje, não sou mais a mesma;

De tantos avessos postados na mesa

Hoje, não sou mais a mesma;

De tanto traírem algumas certezas

Hoje, não sou mais a mesma;

De tanto confundirem minha gentileza

Hoje, não sou mais a mesma;

 

Hoje, não sou mais a mesma

Hoje, sou mais a mesma não

Hoje, mais a mesma não sou

Hoje, a mesma não sou mais

Hoje, a mesma sou mais não

 

Hoje, em mais nova versão

Algumas certezas encontro em reforma

Outras mais firmes serão

Ao passo em que a vida me forja.

 

Hoje, além de quem era,

Sou mais outras tantas que a vida me deu

Relicário de versos e acordes

Que um velho poeta engenhoso escreveu.

 

Por Lu Marinho

 
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Publicado por em 3 de setembro de 2015 em #DESTAQUE