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Na berlinda, o amor…

22 maio

 

Na berlinda, o amor…

Como um vulcão expelindo suas larvas assim somos nós muitas vezes…  sensações e sentimentos se misturam dentro de nós com tanta força e intensidade que acabam explodindo e inundando o nosso ser…

Luzes apagadas, olhos fechados, punhos cerrados, como se isso pudesse afastar as emoções que invadiam e devastavam sua alma… Marta forçava-se a aquietar-se, seu corpo parecia inerte, mas seu cérebro funcionava na velocidade da luz, seus olhos vertiam a fúria de sentimentos que lhes atordoava… com alma exprimida dentro do coração apertado ela tentava sugar o oxigênio que parecia escasso… assim depois de muito se debater interiormente, já exausta de conflitos e de lágrimas adormeceu…

Caminhava agora a passos largos por uma cidade encantada, cheia de mistérios e magia… o céu sob seus pés, a lua e o sol se tocavam, o veículo eram as estrelas, todos andavam de estrelas cadentes… que enfeitavam o chão como tapetes, e bastavam sentar sobre elas para que se locomovessem… as pessoas todas eram velhas conhecidas, de rostos meio borrados como fotografias antigas… Marta se surpreendia a cada passo no pequenino mundo mágico em que se encontrava, pequenino porque conseguia ver a olhos nus tudo a sua volta… mais adiante ela deparou-se com um distinto senhor que no primeiro momento parecia-lhes um estranho, com um semblante sereno e gestos acolhedor fez com que se aproximasse mais dele, e pode vislumbrar a maior visão do seu sonho encantado… o sábio a seu lado mostrou-lhes o mar do seu mundo… era um oceano de arco-íris, de cores intensas, vibrantes, jamais visto antes… maravilhada exclamou que era a mais bela visão que seus olhos já puderam ver!… o sábio que até então apenas gesticulava para as águas encantadas, numa tentativa estranha de tentar apartar cada cor, olhou dentro dos olhos de Marta e falou:

Não se engane minha filha, as cores são realmente belas, mas cada uma exerce uma função vital dentro desse pequeno mundo, isoladamente cada uma delas é benéfica ou pouco ofensiva mas juntas são indomáveis… cada uma representa um sentimento dentro do seu ser, carinho, raiva, compreensão, mágoa, inveja, rancor, saudade, alegria, tristeza, paz, harmonia, angustia e outros tantos, sem esquecer o amor, o mais forte e indomável deles, nos invade impetuosamente, geralmente ele é quem faz toda essa bagunça que vês, quando não saciado, não atendido, torna-se arredio e  feroz… mistura tudo e faz escorrer pela face seu egoísmo…  sempre que chega aconchegasse de mansinho junto a alegria da novidade e faz os olhos brilharem, as pernas tremerem, o coração palpitar… mas mimado e impulsivo detesta ser desafiado ou rejeitado, quando isso acontece, ah! Ele faz uma bagunça e se vai, as vezes pra outro mundo as vezes apenas dormir… e eu como irmão gêmeo fico sempre pra consertar o estrago, e confesso que dá o maior trabalho, pois quase ninguém me escuta quando ele faz todo esse reboliço… muito prazer, me chamo amor próprio.

Por Lu Marinho

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Publicado por em 22 de maio de 2012 em #DESTAQUE

 

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