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Quinze Minutos de Poder

21 maio

Quinze Minutos de Poder

Numa escola de anjos os aprendizes passavam por um estágio e saiam em duplas para fazer o bem e no final de cada dia, apresentavam um relatório ao anjo mestre.

Dois anjos estagiários, depois de vagarem exaustivamente, regressaram frustrados por não terem feito nenhum bem. Parece que naquele dia, o mal estava de folga. Enquanto voltavam tristes, os dois depararam com dois lavradores que seguiam por uma trilha, e, um dos anjos disse:

– Tive uma ideia… que tal darmos 15 minutos de poder a estes lavradores para ver o que eles fariam?

– Você ficou maluco? O anjo mestre não vai gostar nada disto! Respondeu o outro anjo.

– Que nada, acho que ele vai até gostar. Vamos fazer isto e depois contaremos para ele.

E assim o fizeram. Puseram suas mãos na cabeça dos dois e colocaram-se a observá-los. Poucos passos adiante os lavradores se separaram, seguindo cada um o seu caminho.

Um deles, após alguns passos, viu um bando de pássaros voando em direção a sua lavoura, e passando a mão na testa suada disse:

 – Por favor, meus passarinhos, não comam toda a minha plantação! Eu preciso que esta lavoura cresça e produza, pois é daí que tiro o sustento do meu lar.

Naquele momento, ele viu espantado a lavoura crescer e ficar prontinha para ser colhida em questão de segundos. Assustado, ele esfregou os olhos e pensou:

 “devo estar cansado e acelerou o passo”.

Logo adiante ele caiu ao tropeçar em seu porco que havia fugido do chiqueiro. Mais uma vez, esfregando a testa ele disse:

 – Você fugiu de novo meu porquinho ! Mas, a culpa é minha, eu ainda vou construir um chiqueiro decente para você.

Mais uma vez espantado, ele viu o chiqueiro se transformar num local limpo, acolhedor e com água corrente e o seu porquinho instalado no novo compartimento. Esfregou novamente os olhos, apressou o passo e pensou:

“estou mesmo muito cansado”.

Chegando em casa, ao abrir a porta, a tranca que estava pendurada caiu sobre sua cabeça. Ele então tirou o chapéu, e esfregando a cabeça disse:

 – De novo, e o pior é que eu não aprendo mesmo. Uso a falta de tempo como desculpa e não conserto esta tranca. Mas, hei de ter dinheiro para construir uma grande casa e dar um pouco mais de conforto a minha família.

Naquele instante aconteceu o milagre. Aquela humilde casa, foi se transformando em uma verdadeira mansão, diante dos seus olhos assustados. Convicto de que era tudo imaginação decorrente do cansaço, ele se jogou em uma enorme poltrona que estava em sua frente e dormiu profundamente.

Foi acordado aos berros pelo outro lavrador, pedindo socorro. Ainda atordoado, sem entender muito o que estava acontecendo, ele chegou na porta e encontrou o amigo em prantos. Ele se lembrava de que minutos antes eles se despediram e ele estava bem. Perguntando o que se passava, ele ouviu a seguinte estória:

-Nós nos despedimos no caminho e eu segui para minha casa, poucos passos adiante, eu vi um bando de pássaros voando em direção a minha lavoura, este fato me deixou revoltado e eu gritei:

 – Vocês de novo, atacando a minha lavoura, tomara que seque tudo pra vocês morrerem de fome! Naquele exato momento, eu vi a lavoura secar e todos os pássaros morrerem bem na minha frente. Pensei, devo estar cansado, e apressei o passo.

Mais adiante, tropecei no meu porco que tinha fugido. Fiquei bravo e gritei:

 – Você fugiu de novo? Por que não morre logo e para de me dar trabalho?

 Compadre, não é que o porco morreu ali mesmo, na minha frente.

Acreditando estar vendo coisas, andei mais depressa, e ao entrar em minha casa, me caiu na cabeça à tranca da porta. Naquele instante eu já estava com muita raiva, gritei novamente:

 – Esta casa velha, caindo os pedaços, por que não cai de uma vez?

 Para surpresa minha ela caiu e eu não pude fazer nada…

Mas, compadre, o que aconteceu com a sua casa? De onde veio esta mansão?

Depois de tudo observarem, os dois anjos foram correndo contar ao mestre e, ficaram muito apreensivos quanto ao tipo de reação que o anjo mestre teria. Mas, tiveram uma grande surpresa.

O anjo mestre ouviu tudo com muita atenção, parabenizou os dois pela ideia brilhante que haviam tido, e resolveu decretar que a partir daquele momento,

 TODO SER HUMANO TERIA 15 MINUTOS DE PODER AO LONGO DA VIDA. Só que, ninguém jamais saberia quando estes 15 minutos de poder aconteceriam…

Texto extraído do livro As mais belas parábolas de todos os tempos Vol III

De Alexandre Rangel.

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