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Aquarela de dores…

17 abr

 

Aquarela de dores…

Despida de qualquer fantasia, a realidade me visita, nua em pelo… Toma-me pela mão, me lança numa avenida onde o tráfego de dores é intenso, sinto-me tão frágil diante desse percurso, sem muita força sigo, tentando me encontrar, encontrar o caminho das pedras… Aquele que a vida me nega… Entretanto, a realidade é bem honesta, nada ela me nega, todas as formas de dores, nas mais variadas cores, com suas tantas nuances, me invadem explicitamente como o sol das manhãs de verão que beijam minha janela… e esta explosão de cores mornas dão um tom de nostalgia a estes dias desumanos, que devasta brutalmente o meu ser… precisamente nestes instantes a realidade se mostra tal como é, crua, rigorosa, não me permite sonhos,  nem ilusões, e como me fazem falta um punhado deles, só agora percebo o quanto eles me valiam, o quanto aplacavam as minhas dores… Já ensaiei inutilmente algumas fugas, mas não aprendi mentir pra mim, não consigo enfeitar as minhas aflições, sou caçador de mim, predador de mim, sem atenuações… as vejo tal qual são, às vezes até exagero a dimensão, é natural… Quase sempre me machuco nos caprichos absurdos dessa minha vida mal planejada, nunca sei direito de quem é a culpa… creio que minha, mas prefiro mesmo não saber, conheço minhas teimosias, sei que sempre dou a cara pra bater, sei que quando sou, sou pra valer, e se digo que não vou, aí, eu quero ver quem me obriga, pago caro pra não entrar numa briga, mas, se entro, me conheço, é pra valer a vida… Esta que é uma loucura desmedida, descabida… não sei bem definir, se a vida me apresentou a realidade ou se a realidade me mostrou a vida, mas sei que é tudo um novelo entrelaçado que me enreda e me arrasta sem opção por estes caminhos difusos, obscuros, cheios de incertezas… Contudo, certa estou que mesmo que me custe o resto de vida que me resta, recuso o “luto” que querem me obrigar a vestir, a minha alma é festa, e contesta, e protesta que detesta de tristeza se vestir…  Talvez você nem possa entender este meu grito de loucura, grito de alma desnuda, desarmada, que sente o frio abraço da realidade tentar engessar-lhes o ânimo… mas, é tudo o que me vem, é tudo o que resta, o que me sobra, é tudo meio sem teto, sem borda, sem moldura… como se estivesse solto, largado a toa, mas não, não falo de qualquer coisa, falo da minha dor, dessa que é tão minha que chego a me perder procurando onde é que se entranhou… Que a realidade perversa faz questão de reforçar cada cor…

Por Lu Marinho

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Publicado por em 17 de abril de 2012 em #DESTAQUE, ♀ ♂ LITERATURA ♂♀

 

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