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Arquivo mensal: março 2012

REFRÃO ANTIGO

Refrão Antigo…

A vida me olha de lado,

sempre tive esta impressão…

O incompleto, o imperfeito,

não é verso de canção,

é a prosa da minha vida

virando mais uma esquina

de mãos dada com a ilusão…

Não tem protesto, nem reza

nem mesmo a mais bela promessa

livra-me das tuas mãos

vida, que sem dó me leva

por caminhos de quimera,

becos frios de aflição…

Ao descrever minha vida

como se fosse uma canção,

chego finalmente,

a uma única conclusão,

poucas estrofes de alegria,

e sempre se repetiria

aquele antigo refrão:

…E continua sozinha,

flertando com a solidão!

Por Lu Marinho

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SE…

 

Se…

Quisera ter a capacidade

de transformar água em vinho…

Queria poder mudar todas as rotas

e encontrar o teu caminho,

fazer parte da tua jornada

ser dona dos teus carinhos,

te apoiar na caminhada

ser teu mapa, tua estrada,

nunca te deixar sozinho.

Cada beijo que guardastes

cada sonho, cada plano…

há! meu Deus quem me dera

os meus vinte e poucos anos…

Não mediria esforços,

nada me pararia

se tão somente eu soubesse

que é isso o que tu querias

juro, que nada mais nesse mundo

de você me afastaria…

 

Por Lu Marinho

 
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Publicado por em 31 de março de 2012 em #DESTAQUE, ♥ POESIAS ♥

 

EFEITO COLATERAL

 

Efeito Colateral…

 

O teu gosto permanece em minha boca

alimentando a fome dos teus beijos,

mas não consegue saciar minhas vontades

sonhar é pouco pra suprir tanto desejo…

 

Desejo grande de ficar em teu abraço

como se nada mais fosse preciso,

dormir, sonhar, esquecer todo cansaço,

parar o tempo, bem na paz do teu sorriso…

 

Esse desejo que arrepia a minha pele,

que me incendeia e ame faz enrubescer

há! quem me dera poder controlar o tempo,

e assim usá-lo para o meu bel-prazer…

 

E desejei ardentemente por segundos

ser o “senhor do tempo” aquele instante,

poder, parar, passar, retroceder…

qualquer momento,

ter em minhas mãos esse controle absoluto…

 

Faria muito eu confesso se assim fosse,

parava o tempo em momentos bem precisos

essencialmente no aconchego dos teus braços,

onde me perco e encontro o paraíso…

 

Passava o tempo o mais rápido possível

pra não sentir as garras frias da saudade,

todo momento em que não estou contigo

onde o teu beijo não me aquece e não me invade…

 

E com esse controle absoluto em minhas mãos

retrocederia o tempo sem hesitação

pra usufruir o maior tempo que possível

desse sorriso que chamou minha atenção…

 

Por Lu Marinho

 
 

TUDO BOLHAS…

 

Tudo Bolhas…

  A lua deixou seu cenário… as estrelas recolheram-se… até as nuvens vestiram-se de cinza em protesto a este dia… vislumbrei ao longe uma tempestade que se formava e o céu ameaçou chorar o meu infortúnio… Agitou-se o mar, incrédulo diante do fel das tuas palavras… Certas palavras nunca deveriam ser pronunciadas, se quer balbuciada, jamais ditas… O som daquela voz tinha o poder de entorpecer meus sentidos até então… mas, aquelas palavras… tinham um poder ainda maior, tirou-me o ar, o chão, e por segundos  senti fisicamente a dor de uma decepção… Um lampejo de alucinação tentava atenuar à aflição, jurando não ser verdade… mas, como não? dizia-me a razão, talvez , essa fosse a única verdade em anos de ilusão… Não havia como escapar, não tinha como fugir, teria que aceitar, enfrentar mesmo ferida, mais esse capitulo da historia da minha vida, o qual não escrevi, tão pouco queria ler, menos ainda viver, entender…  Nada mais fazia qualquer sentido… o que fizestes dos sonhos? e, os tantos planos? e, aquelas promessas?… ouvi claramente o gargalhar da ilusão, ridicularizar a minha inocência, me jogar no vão…tudo havia se dissipado  como bolhas, simples bolhas de sabão…

Lágrimas cálidas morrem em minha boca, sepultando ali todos os enganos que dantes cometera… reunindo as forças que me restaram, rasguei o luto daquele amor solitário… cheio de hipocrisia…agora, o horizonte é meu lugar, e a felicidade meu guia, e onde quiser estarei, pois me permito sonhar, apesar de você…apesar dos porquês…dos talvez… sei que as estrelas voltarão a cintilar,  mesmo que essa dor grite dizendo que não, eu me recuso a escutar… eu escolho sorrir,  viver, não aceito mais sofrer…eu escolho sonhar e amar… e mesmo que nuvens espessas tentem meus dias nublar, creio que o vento soprará a meu favor, e enquanto ouvir falar de amor, não cessarei  de o buscar, pois, sempre depois da chuva o sol  retorna a brilhar…

 

Lu Marinho

 

RASCUNHO DA MINHA VIDA…

Rascunho da minha vida…

Debruçada sobre as páginas amareladas do livro da minha vida, me sobreveio uma estranha nostalgia do tempo em que não vivi… Forma-se um nó na garganta ao perceber o quanto aceitei morrer, acreditando ser meu destino, a vida que não tracei, os sonhos que não sonhei, as flores que nunca colhi… Um profundo suspiro desprende o nó, que se liquefaz e molha copiosamente a face que desconhecidamente me pertence…

Onde está a bailarina que suavemente rodopiava pela casa, enchendo os cômodos de alegria… com seus cabelos levemente banhados de sol e sapatilhas cor de rosa? Seus sonhos dourados parecem tão longínquos, que a memória não se atreve a ir buscá-los, talvez por medo de errar o caminho de volta, ou mesmo por não querer violar a doçura daqueles instantes que se eternizaram na inocência da mais tenra infância… A vida nos afastou demasiadamente, arrastou-nos por caminhos distintos e nem nos demos conta em momento oportuno para tentar impedir essa ruptura que nos aprisiona cada uma em sua própria dimensão…

Fiz esboços de ilusão, desenhei mil fantasias, tentando concluir o projeto da minha vida, às vezes me assusto em ver quantos já foram descartados forçadamente… nunca desisti facilmente, mas, a candura é minha fraqueza… não consigo forçar esse deslize da natureza, e por não me impor muitas vezes, estou sempre a fazer um novo desenho de mim mesma…  hoje já consigo visualizar traços mais bem definidos, alguns até mesmo bem acabados, mais ainda falta muito para finalizar, estou a caminho… as vezes sozinha, as vezes com pressa de chegar… as vezes me perco um pouquinho, mas insisto em viajar… ainda desconheço o caminho, e não sei como, se junto, se sozinha, só sei que quero e que vou chegar… só não me pergunte aonde, porque este mapa não me cabe desenhar, mas, sempre que possível, faço alguns traços, alguns riscos, me atrevo a opinar… Deus me ajude no caminho, me proteja se sozinho, e se vacilar um tiquinho, que ele me encoraje a chegar…

Por Lu Marinho

 
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Publicado por em 28 de março de 2012 em ♀ ♂ LITERATURA ♂♀